O Édipo no Menino o complexo que todos deveriam entender

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Por Paula Carosio Araújo Saldanha1

Venho elucidar o que aprendi com o tema “Édipo do Menino” estudado no livro de J.D. Násio- Édipo o Complexo do qual nenhuma criança escapa”, e mais, como devemos aplicar esse conhecimento na prática clínica. Com a leitura da primeira parte do livro o qual trata-se especificamente do menino, vi o quanto é importante o entendimento de todo o Complexo de Édipo vivido por uma criança para que possamos analisar nossos pacientes na vida adulta.

O édipo portanto, sendo essa chama de sexualidade vivida por uma criança em relação aos seus pais, a matriz da identidade sexual que será definida na crise edipiana; a base da neurose infantil e modelo para todas as neuroses adultas, é essencial para toda organização dos conceitos psicanalíticos, é o conceito soberano.

Sabe-se que para os meninos o pênis, por volta de seus três a quatro anos, é seu objeto mais amado e precioso, motivo pelo qual também representa seu órgão mais frágil e temido. Todo esse poder, vulnerabilidade e fraqueza, denomina-se o nome de “Falo”. Se desde a infância o menino teme a perda desse objeto/Falo essencial para ele, Násio irá traz nesse livro, portanto que a capacidade da criança de entender a perda de algo tão importante, de entender a falta são indispensáveis para a compreensão de como se formam a fantasia de angústia de castração no menino e como ele sairá do Édipo.

Quando se pensa em alguns casos clínicos verifica-se que o Édipo está presente em 90% dos casos. Em participações a grupo de estudos e grupos de discussões de casos clínicos sobre as neuroses adultas vemos a importância que se faz do Falo para o paciente masculino. Toda a relação de poder, seja no trabalho, seja para com a mulher e filhos ou até em relacionamento com amigos, o homem tem a necessidade, um desejo operante em suas vidas. Esse desejo Násio classificou em desejo de possuir, ser possuído ou suprimir o Outro. E o descreve como os três desejos incestuosos: “O desejo virtual, nunca saciado, cujo objeto é um dos pais e cujo objetivo seria alcançar não o prazer físico, mas o gozo.”

Posteriormente aos desejos, Násio descreve as fantasias de prazer como uma ação que baixa a tensão do desejo que suscita prazer ou angústia. Essas fantasias se tornam uma proteção, nem sempre prazerosa, porém com uma função de descarga para que outro mal pior não apareça.

Observa-se que essas fantasias ocorrem diariamente na vida dos pacientes e nós, analistas, temos que reconstruir as cenas fantasiadas. Sendo que cada desejo incestuoso irá corresponder a uma fantasia de prazer específica. A fantasia de possessão corresponde ao desejo de possuir o outro; a fantasia de ser possuído que obviamente corresponde ao desejo de ser possuído pelo outro, é uma fantasia de sedução, inclusive causa de histeria masculina; e por fim a fantasia de suprimir o Outro, o sujeito fantasia com a destruição do outro provocando grande prazer sexual.

Chegamos agora na angústia de castração, mais frequente e mais visivelmente observada em consultório. Todas as fantasias citadas acima causam grande prazer, porém podem desencadear uma grande angústia. A angústia de ser punido com a mutilação do Falo inconsciente é manifestado na criança através de medos e pesadelos. Essa angústia de castração Násio diz ser a medula espinhal do psiquismo do homem. Essa angústia é o avesso do prazer, portanto todo homem vive um conflito entre prazer e medo de punição. Esses sentimentos são base de todas as neuroses.

As três fantasias de angústia de castração consequência aos desejos e fantasias são: o pai é um repressor temido; o pai é um tarado temido; o pai é um rival temido.

Essa angústia será recalcada na infância e veremos que a neurose na idade adulta é o retorno da angústia de castração mal recalcada na infância.

Nas sessões analíticas foi observada que de uma maneira geral que os homens vivem esse conflito com perda do poder que julga possuir. Quando os pacientes trazem problemas de trabalho, relacionamentos é visível essa disputa e medo de perda do Falo. E quando ficam preocupados com essa dispuda ou perda, acabam negligênciando outras coisas mais importantes e necessárias em suas vidas.

Existe duas consequências de todo esse processo vivido no Complexo de Édipo pelo menino; a formação do supereu e a confirmação de uma identidade sexual.

O supereu é formado no momento em que o menino percebe que não pode ter os pais escolhe ser como eles, em seus ideais, fraquezas e ambições. Na fase adulta do homem observamos sua moral, intimidades e todos os seus sentimentos refletidos desde a formação do seu supereu.

A identidade sexual é forjada ao mesmo tempo descobrirá a masculinidade e a feminilidade que não necessariamente correspondem à realidade fisiológica e anatômica de um homem e de uma mulher.

Concluo dizendo novamente a importância do entendimento do Complexo de Édipo no menino para entendermos o adulto e suas neuroses, angústias, frustrações. Como é vivido a angustia de castração e seu recalcamento em cada paciente é essencial para uma analise eficaz de um psicanalista.

¹Aluna do Programa de Formação em Psicanálise da EPP.

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