Adolescência é tema do Colóquio Psicanalítico organizado pela EPP em Francisco Beltrão

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Um período de inquietação. Assim pode ser definida a adolescência, fase de muitas perguntas, que em alguns momentos ficam sem respostas. É exatamente a falta de respostas e o vazio existencial que acometem muitos adolescentes, a ponto de interferir em sua saúde mental e motivar o suicídio.

Adolescência é o tema do 1º Colóquio Psicanalítico da Escola Paulista de Psicanálise (EPP), em Francisco Beltrão, que acontece dia 29, às 9 horas, no auditório do Francisco Beltrão Palace Hotel. O evento é aberto ao público em geral e a entrada é franca. Os recentes acontecimentos relatados no mundo todo, bem como no Brasil, têm envolvido um número alarmante de menores com práticas suicidas. Quais as motivações para isso? É o que pretende tratar este colóquio, numa iniciativa do grupo de estudos presenciais do curso de extensão Fundamentos da Psicanálise em Freud, realizado pela EPP. O objetivo é despertar a comunidade e lançar um olhar mais atento ao tema, partindo das percepções da psicanálise e de seu diálogo com outras áreas de conhecimento. "A ideia deste colóquio surgiu em nosso grupo de estudos para introdução às principais teorias de Freud, que se reúne mensalmente em Francisco Beltrão, e organizado pela Escola Paulista de Psicanálise, onde sou filiado e docente em alguns cursos de extensão. Pautamos pelo menos três objetivos: difundir a psicanálise na nossa região, aproximar-se da comunidade para conscientizar as pessoas sobre a importância da saúde emocional e dialogar com outras áreas de conhecimento sobre temas de grande relevância", diz Marcelo Moya, psicanalista.

Palestrantes

Participam da discussão a psiquiatra Nina Ferreira, que abordará a depressão e o suicídio na adolescência; a professora e psicopedagoga Gisele Arendt, que falará sobre a agressividade na adolescência, fruto de um trabalho de campo nas escolas para sua dissertação de mestrado; e o psicanalista Marcelo Moya, que finalizará o encontro. Segundo Marcelo, pretende-se realizar uma jornada de saúde mental em Beltrão, no mês de outubro, por ocasião do Dia Mundial de Saúde Mental, comemorado dia 10 de outubro.

Como a psicanálise analisa o suicídio?

JdeB - "A psicanálise, do ponto de vista clínico, busca principalmente acolher o sujeito em seu sofrimento. Quando a vida se torna insuportável e a impressão de que a dor de existir não cessa, esta pessoa diante de sua impotência passa a acreditar que escolher morrer é a única saída. Um dos maiores dramas vividos principalmente no contexto urbano é o sentimento de solidão e abandono. O sofrimento e tensão internos se tornam tão intensos que são capazes de causar enfraquecimento psíquico e levar à perda de um sentido existencial", responde Marcelo. Ele comenta que é um processo doloroso, que vai acontecendo aos poucos. Não é contra si propriamente, mas contra algo que internamente é responsável por uma angústia que não se pode controlar. "A tensão causada pela angústia é tanta que faz com que esta pulsão sirva como um disjuntor elétrico que desliga a rede em caso de uma pane no curto circuito. É exatamente isso, se não consigo conter a pane interna que se instalou dentro de mim, o último recurso é desligar toda a máquina para o mundo ou para si. Tentativas suicidas sem êxito na maioria das vezes soam como um grito desesperador de socorro, clamor por acolhimento, como uma criança que almeja um colo seguro da mãe. Procurar ajuda com os familiares e amigos próximos, tratamento psiquiátrico, auxílio terapêutico e experiências lúdicas como espiritualidade por exemplo, são fundamentais. Reconhecer e enfrentar o sofrimento é o único caminho que pode nos ajudar a superá-lo e apreciarmos a vida em todas as suas estações", destaca.

Fonte: http://www.jornaldebeltrao.com.br/noticia/262033/adolescencia-e-tema-do-coloquio-psicanalitico-dia-29-de-julho

 

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