Boas experiências em meios psicanalíticos

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Por Márcia Velo Barros1 

Não só de atendimentos vive um psicanalista. Não só numa poltrona atrás de um divã, ouvindo seus analisandos e interpretando. O psicanalista também precisa de ajuda. Como tudo e todos, também temos nossos pontos cegos. E nada melhor que uma boa troca de experiências com colegas psicanalistas para (re) pensarmos nossa prática, buscarmos novas teorias e (re) vermos as já vistas. Sempre há espaço para o novo.

 

É assim que sinto quando me encontro com meus colegas psicanalistas em seminários clínicos.

Seminários clínicos são experiências riquíssimas nas quais podemos trazer casos clínicos para estudo, assim como conhecer outros nunca experimentados pessoalmente, e trocar idéias sem fim.

Nessas experiências que já passei posso relatar que pude (re) pensar a teoria ligada à prática, constantemente. Essa é uma das grandes riquezas da Psicanálise: Sempre encontramos, num caso, num texto, numa teoria, algo que em outro momento nos passou despercebido, algo que desviou, por inúmeros motivos, de nossa consciência, mas que, em vínculos de troca, nos quais, como não poderia deixar de ser, também ouvimos bastante, podemos trazer de volta, questionar e pensar. Um processo muito próximo da própria idéia de Psicanálise, não é?! Mas assim é a Psicanálise: possível onde houver possibilidade de vínculo.

Portanto, com os seminários clínicos, temos a sorte e a chance de sermos questionados quanto ao nosso olhar e entendimento de cada ser humano que nos procura com suas angustias, dores, dissabores e amores. E assim, nos aproximamos de nossos pontos cegos diante do outro.

É possível, nessas experiências, entender cada vez mais a teoria. Ver na prática, sentimentos tão presentes na teoria psicanalítica, ora integrados, ora fragmentados, (tais como amor, ódio, indiferença, inveja, insegurança, felicidade, satisfação, fragilidade, onipotência, vaidade, arrogância, insatisfação, etc.) à flor da pele. (Re) conhecemos nos casos apresentados, as histerias, as paranoias, a parte psicótica e neurótica da mente, as angústias obsessivas, as ansiedades depressivas e persecutórias, etc.

Portanto, podemos, com a ajuda dos colegas, ver a teoria levantar dos livros e caminhar, criar vida, na forma dos seres humanos os quais temos a chance e a sorte de nos vincularmos: nossos analisandos.

Com a ajuda dos colegas psicanalistas, podemos discernir o conteúdo manifesto no discurso do analisando de seu conteúdo latente, que em certos momentos podemos nos colocar cegos, e, com essa riqueza, é que temos a chance de avançarmos nas analises que nos propomos realizar. É como ter ajuda para entrar num sonho e sair dele transformado, é como ter ajuda para entrar e sair de um labirinto.

Também com a ajuda dos seminários clínicos, podemos descobrir nossas partes não analisadas da mente e ter a chance de levá-las para nossa análise pessoal e desenvolvermos, se abertos para isso, emocional e profissionalmente.

Essa riqueza toda da qual tento descrever brevemente (se é que isso é possível!!!), só é possível em vínculo. A brilhante Psicanálise demonstra isso, a todos nós que nos encorajamos vivê-la, através das relações que o psicanalista pode ter com o paciente, mas também com os colegas e com seu próprio analista. Vincularmos de todas essas formas é o que nos torna capaz de amadurecimento e transformações. De lidar com as frustrações e perdas da vida, (perdas reais, perdas de sonhos, de desejos, de ideais, etc.), assim como de poder e tentar colaborar com nossos colegas e com nossos analisandos.

Parece um sonho, não é?! É que sou suspeita para dizer, pois amo o que faço, mas essa é uma vivência real e possível à todo psicanalista.
 
1Psicóloga (CRPSP 06-76477) e Aluna do Programa de Formação em Psicanálise da EPP.

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