Para além da Posição Depressiva

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Por Rafael Marques Menezes1

Tanto para um analista em formação, quanto para um psicanalista experiente, o momento de supervisão é muito rico. É para esse espaço que o profissional engajado em seu trabalho aprende, troca e elabora aquilo que foi, ou não, interpretado durante a análise do seu paciente. “Para além da Posição Depressiva” foi pensado nesse espaço, após a apresentação do trabalho de uma amiga psicanalista, e pela explicação do psicanalista supervisor Alexandre Esclapes que nos expões à reflexão.


A Posição Depressiva e a Posição Esquizoparanoide são dois termos criados pela psicanalista britânica Melanie Klein para se tentar compreender o psiquismo humano. Pensar para além da posição depressiva poderia nos remeter à filosofia, em especifico, ao pensamento de um grande filósofo Friedrich Nietsche.

Nietsche comparou a vida à um pulo no abismo. Nesse abismo, chamado vida, morre Narciso, morre o objeto bom e o objeto mau. É para esse lugar que caminhamos na vida quando a inveja e a culpa não mais se apoderam de nossos pensamentos. E como chegar lá? Não existe resposta, não existe fórmula mágica e não há prêmio na Mega-Sena que compre um mapa para se chegar até lá. Mas, talvez um psicanalista que tenha se atrevido a abandonar o lugar estático à beira do precipício, e se arriscado a pular no abismo com largo sorriso, consiga ajudar seu paciente a elaborar a coragem para viver.

Entender a diferença entre Princípio do Prazer e Princípio da Realidade proposto por Sigmund Freud é essencial para concluir esse raciocínio. Enquanto vivemos presos ao Princípio do Prazer, querendo que nosso desejo seja satisfeito na hora que queremos, não aprendemos a respeitar o Princípio da Realidade que nos impõe, de modo, duro e cruel, que nossa onipotência não é, e nunca foi plena, somos impotentes perante vida. E o que temos, nada mais é que um precipício como a vida e a morte como o fundo.

Devemos viver o hoje, o aqui, o agora, sem bom, sem mal e sem olhar apenas para o próprio ego, i.e., concluir que “para além da posição depressiva” a resposta seria “é o que tem para hoje”? A psicanálise, bem como, a filosofia, nos fazem indagações, não nos trazem respostas, mas nos ajudam a pensar o pensamento.

¹Aluno do Programa de Formação em Psicanálise da EPP.

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